A indústria naval vive um paradoxo: nunca houve tanta oportunidade, e nunca foi tão difícil encontrar profissionais preparados para aproveitá-la.
Quando se fala em indústria naval, o imaginário coletivo ainda pensa em máquinas, soldas e aço. Mas a realidade atual é outra. O principal ativo do setor são pessoas qualificadas, e é justamente aí que mora o maior risco.
A construção, manutenção e conversão de embarcações modernas exigem engenheiros, técnicos, projetistas, eletricistas, programadores, gestores de produção e especialistas em sistemas complexos. Trata-se de uma indústria intensiva em conhecimento, organização e precisão.
O problema é global, mas em países que desinvestiram na formação técnica o impacto é ainda maior. Estaleiros podem ter encomendas, financiamento e infraestrutura — sem pessoas, nada acontece. Projetos atrasam, custos sobem e oportunidades migram para outros mercados.
Investir em educação técnica e formação profissional deixou de ser política social. É política industrial. Cada profissional formado sustenta uma cadeia de valor inteira. Cada geração perdida representa anos de atraso competitivo.
Se o setor marítimo é estratégico, as pessoas são o ponto de partida. Não no discurso, mas na prática. No coração das decisões, nos orçamentos e no planejamento de longo prazo.
O futuro da indústria naval não será definido apenas por quem tem tecnologia, mas por quem teve a coragem de investir em gente antes que fosse tarde.